O cinegrafista que processou Faustão

O Gatinhas do Domingão não passava de uma encheção de linguiça. Cada operador de câmera focalizava a garota preferida. Gaúcho era sempre o penúltimo e recebia atenção especial.

Não sorria jamais. Engolia a seco as gozações de Faustão, que iam de corno à tarado. Sempre acreditei que ele interpretava o papel de sério para dar mais graça ao quadro. Ivalino Raimundo da Silva não suportava as chacotas e insinuações. A paciência torrou de vez em 1995, quando resolveu mover processo contra o apresentador e a Globo.

Pediu 1 milhão de reais. Em entrevista, na época, Faustão mostrou-se surpreso com o ex-funcionário, que, em seis anos no programa, nunca teria reclamado das brincadeiras e que até ajudava a criá-las.

Depois de perder nas instâncias estaduais do Rio de Janeiro, a Globo recorreu ao Supremo Tribunal, que decidiu em favor de Gaúcho. Faustão e emissora foram condenados a pagar-lhe indenização por danos morais (devido à exposição ao ridículo) e materiais (por virar atração sem ser pago para isso). Entretanto, a quantia foi bastante inferior: 150 salários mínimos.

Cá entre nós, Faustão não perde a chance de zoar e criticar colegas ao vivo. Sorte dele que a moda não pegou. Acredito que, hoje em dia, o apresentador converse antes com a equipe, até para evitar surpresas como essas.